MARIA LÚCIA ALMEIDA DE MARINS E DIAS CASELLI

O marco da fundação da cidade de Itu ocorreu em 1610, com a construção de uma capela dedicada à Nossa Senhora da Candelária, erguida por Domingos Fernandes e Cristóvão Diniz nas terras do Pirapitingui. O povoado surgiu ao redor dessa capela, e o dia 2 de fevereiro foi adotado como aniversário da cidade. Ao longo do tempo, Itu evoluiu de pequeno núcleo rural para vila e depois cidade. Em 1657, tornou-se Vila, passando a ter Câmara Municipal. O crescimento foi lento no início, mas se fortaleceu com a agricultura, a escravidão e o comércio, além da construção de igrejas e conventos. No século XVIII, a economia se expandiu com a produção de açúcar e algodão, transformando Itu em importante entreposto comercial. Em 1842, foi elevada à categoria de cidade e, a partir de 1850, tornou-se uma das mais ricas da Província de São Paulo.Com a crise do açúcar, destacou-se o Movimento Republicano, culminando na Convenção Republicana de 1873, razão pela qual Itu é chamada de “Berço da República”. Posteriormente, o café passou a sustentar a economia, trazendo imigrantes europeus após a abolição da escravidão No século XX, a cidade passou por industrialização, crescimento urbano e valorização turística, especialmente após a construção da Rodovia Castelo Branco e a fama de “Cidade dos Exageros”, consolidando-se como estância turística em 1979. Itu por manter características e tradições centenárias, preserva boa parte de sua história, é denominada como “Roma Brasileira¨.
A nossa entrevistada de hoje é a Prof.ª Dra. Maria Lúcia Almeida de Marins e Dias Caselli.
A senhora nasceu em Itu?
Nasci em Assis, a 14 de fevereiro de 1931, estou com 95 anos. Na Faculdade de Direito eu tinha um amigo que havia nascido no Ceará, mas se considerava paulista, ele dizia: “O Ceará é bom para nascer e ter saudades!”. A mesma coisa eu penso de Assis, é bom para nascer e ter saudades. Sou ituana por titulação. Me deram o título de cidadania. Sou filha de Euclydes de Marins e Dias e de Zenith de Almeida Dias. Residimos em Itu desde 1938, cursei o Grupo Escolar “Dr. Cesário Motta” e o Instituto de Educação Regente Feijó (Ginasial, Colegial, Clássico e Normal). Formei-me em Direito pela USP e cursei o Mestrado em Direito Tributário na PUC entre outras pós-graduações na área. Atuei como consultora jurídica da Prefeitura de Itu, da Câmara de Vereadores, da Associação Comercial e Industrial de Itu e do Sindicato Rural de Itu entre outras atividades profissionais. Exerci atividades docentes no Instituto de Educação Regente Feijó nos cursos Normal, de Aperfeiçoamento e de Administração Escolares; na Faculdade de Direito de Itu (Legislação e Ética da Advocacia e Coordenadora de Estágio Profissional). Fui a primeira vereadora eleita a tomar posse na Câmara de Itu, onde exerci o cargo de Secretária. Quando universitária, pertenci à Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo, onde ocupei a Cadeira “Álvares de Azevedo”. Fui agraciada com diversas condecorações, entre as quais “Título de Cidadania Ituana”, medalhas “Padre Bento” e “Imperatriz Leopoldina”, conferidos pela Câmara Municipal de Itu. Medalha de Mérito Cultural “D. João VI” – Academia de Artes, Cultura e História; Medalha “D. Pedro II – Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; colar “Cruz do Alvarenga e dos Heróis Anônimos” Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba. Ex-colaboradora do jornal “A Federação” e de jornais da faculdade que cursei. É autora do livro “Euclydes Marins, presença em prosa e verso” É membro fundadora da Acadil, onde exerceu mandato de presidente (2000-2004). Ocupa a Cadeira nº 01, cujo patrono é seu pai, Euclydes de Marins e Dias.
Há quanto tempo a senhora está na Academia Ituana de Letras?
Sou uma das fundadoras, foi no início da década de 70. Havia um grupo de ituanos que gostava de escrever e estavam interessados em criar uma academia. É uma academia muito ituana! Todos os patronos tem o nome de ituanos. Inclusive da Professora Doutora Marly Terezinha Germano Perecin. O meu patrono é o meu pai. Ele era gerente de banco, participava escrevendo em todos os jornais locais. Era um bom cronista, um bom poeta, e com isso quando foi fundada a estação de rádio de Itu, os proprietários eram clientes dele no banco, convidaram-no para ser o escritor, o produtor da crônica com que a noite encerraria os trabalhos da Rádio Convenção. No início ele ficou um pouco constrangido, mas atendeu aos clientes e isso contribuiu muito para a popularidade dele e para a vocação de Thaís, minha irmã. Muitas vezes era ela que ia ler a crônica de papai na Rádio Convenção de Itu.
A fundação da Academia de Letras de Itu foi um desafio?
Eu fui com uma relação de nomes dos patronos, que estivessem ligados a Itu de alguma maneira. Não necessariamente ituano. Tem a cadeira Mário de Andrade, porque o Mario se Andrade é o autor da biografia do Padre Jesuino Monte Carmelo, foi aquele padre que produziu muita música sacra, coisas maravilhosas, pinturas, sugestões para reformas de igreja, que estão até hoje na cidade. Com a seguinte dificuldade da ocasião, esse padre era pardo, havia um certo preconceito com relação a ele, e o Mário de Andrade esteve em Itu. O meu pai o conheceu, ficou muito contente. Mario de Andrade estava fazendo uma pesquisa sobre o Padre Monte Carmelo e escreveu a biografia desse padre. Tem uma cadeira em nome do Mario de Andrade porque ele é o biógrafo do Padre Monte Carmelo. Há uma cadeira com o nome de Washington Luís Pereira de Sousa que foi um dos fundadores do Museu da Convenção de Itu.Mais tarde ele ganhou o título de Cidadão Ituano.
A senhora ainda criança já se interessava por leitura, mesmo ainda sem ter sido alfabetizada por ser uma criança sem idade para um ensino regular.
Para ser bem sincera, eu aprendi a ler com o meu pai! E aprendi a ler no jornal “O Estado de São Paulo”! Sou leitora até hoje! Meu pai recebia uma correspôndência do banco, vinha em um envelope pardo muito grande, ele era Gerente do Banco Comercial do Estado de São Paulo, naquele tempo, já morando em Botucatu, meu irmão e Thaís eram pequenos. E mamãe tinha que tomar conta deles, papai me levava para ficar com ele no banco, o gerente ficava em um piso superior e o banco no térreo. Ele me ensinou a ler “Banco Comercial do Estado de São Paulo”. Um dia ele abriu o “Estadão” na minha frente e eu do lado dele li: “O Estado de São Paulo”! Ele levou um susto! Disse-me: “Minha filha! Você já está lendo!”Ele passou a me ensinar a ler as manchetes de jornal, foi assim que aprendi a ler, não tive cartilha não! Mais tarde, quando ele já era gerente de banco em Itu, nesta sala da casa onde estamos, havia um jardim de infância e ele matriculou a mim e ao pai da Sonia, o Rui, mas eu fiquei muito pouco tempo, pelo fato de já estar alfabetizada! Me mandaram logo para o Gupo Escolar, onde já entrei no segundo ano!
Qual era o nome do irmão da senhora?
Euclydes Rui de Almeida Dias.
Como a senhora decidiu optar por unma carreira onde as mulheres eram minoria?
Papai era muito feminista, ele fazia as filhas seguirem a vocação que quisessem. Eu disse a ele que gostaria de fazer Direito. Meu tio e padrinho de batismo era tabelião do Cartório de 2º Ofício de Itu. E naquele tempo os cartórios eram de Notas e Ofícios. Os autos ficavam lá. Vovô, Nabor Dias, ele era conhecido por Capitão Nabor, ele era Capitão da Guarda Nacional, pai do meu pai, era o Oficial Maior. Eu era menina, morava perto.
Hoje a senhora desfruta de um privilégio raríssimo, uma casa com mais de duas centenas de anos, perfeitamente restaurada, com 19 cômodos amplos, pé direito bastante alto, tudo em perfeito estado de conservação e funcionamento, diversos banheiros, com detalhes inimagináveis, portas, armários obedecendo rigorasamente o costume da época, tudo em madeira de lei. Um verdadeiro museu ,mas extremamente agradável!
Eu já estava casada, morava em fazenda com o meu marido.Nosso deslocamento para Itu era de 15 quilômetros para ir e 15 quilômetros para voltar. Nessa época eu era Procuradora Municipal. Meu marido era do Instituto Brasileiro do Café. Chegou uma hora em que o meu marido disse: “Já está na hora de termos uma casa na cidade!”. Ele já era presidente do sindicato local dos cafeicultores, foi então que ele disse-me: “Vou procurar um terreno no centro,vamos construir um andar para os nossos escritórios e um andar para morarmos. Ele estava procurando um terreno, quando ele entrou em um banco, o caixa do banco disse-lhe: “Dr. Caselli, o senhor está procurando um terreno: Compra o casarão do meu sogro, aquilo lá dá para o senhor derrubar e fazer o que quiser!”
Meu marido perguntou se o casarão não era tombado, o caixa disse que não era tombado, estava livre. Ele entrou no escritório e disse-me: “ Meu bem! Adivinha o que me ofereceram! O casarão!”
Na hora pulei da cadeira e disse-lhe: “-Você não vai demolir o meu Jardim de Infância!”
Ele disse-me: “Estou com uma ideia maluca!”. Meu marido tinha a ideia de que em Itu o turismo é importante. Uma cidade histórica, tradicional, e que esses antigos prédios jamais deveriam ser demolidos. Se der negócio eu adquiro o casarão e nós vamos ver o quee vamos fazer daquilo lá! Não demorou mais do que uma hora e ele voltou dizendo: “ Pode bater o recibo de sinal de início de negócio que o casarão já é nosso!”.
A senhora deu um pulo em sua história, em qual escola foi o seu curso de Direito?
Na velha e sempre nova Academia do Largo São Francisco! Todos que se formam lá são chamados entre si como “Franciscanos”. Eu me formei em Direito no dia 27 da janeiro de 1954!
E tinha muitas mulheres estudando Direito?
Não! Na minha turma eram 70 homens e 5 mulheres! Havia duas turmas: a ímpar e a par. A Lygia Fagundes Telles já era formada naquele jurista e professor Goffredo tempo, ela casou-se com o da Silva Telles.
A senhora morava aonde em São Paulo?
Primeiro morei na Liberdade, ia a pé para a faculdade. Quando o meu irmão Ruy foi para São Paulo, papai colocou nós dois em uma pensão próxima a Avenida Angélica, era de uma pessoa conhecida do papai. O Clássico, eu fiz em Itu, devo muito ao colégio daqui. Fiz um clássico muito bem feito e como eram poucos alunos, tinha aulas que para mim eram particulares! Era só eu e o professor na classe! O Estado patrocinava! Muitos anos depois, já casada, o meu marido veio a conhecer o meu professor de latim, o professor perguntou: “-O senhor é esposo da Maeia Lúcia? O senhor fique sabendo que a sua esposa é a aluna mais cara do Estado!” Era a única aluna!
A Senhora especializou-se em alguma área de Direito?
Eu fiquei mais na área de Direito Administrativo, Tributário Municipal, eu tive que passar pela Intervenção Federal na cidade de Itu quando foi fechada a Câmara de Itu. Foram dois interventores: General Agostinho Cortes e o segundo General foi o General Fragoso. Eu fazia o trabalho de aproximação entre o interventor e o magistrado. O primeiro deles queria fazer certas coisas que não era imposição e nem poderia ser feita. Uma das primeiras perguntas que ele me fez foi: “Quem manda mais no municipio, Dona Maria Lúcia?” “É o interventor, o juiz ou o presidente da câmara?!. Respondi: “ General, são três poderes independentes e harmônicos entre si. Se o senhor quer saber em termos de tamanho, a Comarca é maior do que o Município, e a extensão do poder do juiz é mais abrangente do que o seu!” Um dia ele se aborreceu com a Câmara, foi um dia em que até chorei, ele telefonou para o Ministro da Justiça que a Câmara estava imporyunando e que queria fechar a Câmara de Itu. Eu fui a primeira mulher vereadora em Itu, isso foi por volta de 1954, logo que me formei.
Após alguns anos de casada, tive que deixar a própria advocacia da Prefeitura para cuidar da parte de meu marido, ele tinha muita coisa envolvendo sindicato, tinha saído o Estatuto do Trabalhador Rural, tive qua ajudá-lo nessa época.
A casa em que a senhora reside tem uma longa e bonita história?
A história que ela tem, é relativa a cidade. Em primeiro lugar, geométricamente, era a sede de alguma propriedade rural, o terreno ia até a linha de trem, era a sede. Foram vendendo. Até quando nós adquirimos, era o casarão e um pouco de quintal que mal deu uma garagem! A casa encomendada por Francisco de Paula Souza e Mello, construída com muito requinte e fino acabamento. O casarão, hoje conhecido como Casa Imperial, pertenceu ao cafeicultor Carlos Pereira Mendes e foi o local onde a Princesa Isabel e o seu marido, o Conde d’Eu, se hospedaram em novembro de 1884, cinco anos antes da Proclamação da República. A família imperial visitou Itu durante uma viagem pela província de São Paulo. Na ocasião, Carlos Pereira Mendes ofereceu um almoço solene à princesa, ao conde e aos seus filhos. O Casarão: Localizada na Praça Dom Pedro I, a casa é um exemplo da arquitetura eclética do século XIX. Destaca-se pela sua porta de madeira entalhada e pelo batente feito de Varvito, uma rocha típica da região. Ato Histórico: Registros indicam que, durante essa passagem por Itu, a Princesa Isabel teria alforriado alguns escravos da região. A porta de entrada, feita toda em madeira de lei, foi eleita por especialistas como a segunda porta mais bonita do Brasil. A casa foi construída em 1881.
Aqui nesse Largo, em frente a casa, ficava a Igreja de São Francisco, ela pegou fogo em 1907.

Locais Históricos de Itu – Henrique Terras

Casarões de Itu reúnem a história dos 410 anos da cidade



Aqui nesse Largo, em frente a casa, ficava a Igreja de São Francisco, ela pegou fogo em 1907.
O monumento é o único elemento que restou do conjunto arquitetônico franciscano do final do século XVIII e foi construído por Joaquim Pinto de Oliveira, o Mestre Tebas, autor também de diversas obras relevantes da capital paulista como os ornamentos de pedra da fachada das principais igrejas paulistanas da época, como a Ordem Terceira do Carmo (1775-1776), a do Mosteiro de São Bento (1766 e 1798), a da velha Catedral da Sé (1778), a da Ordem Terceira do Seráfico São Francisco (1783).
Mestre Tebas
De talento ímpar, Tebas era escravo e conquistou sua alforria por volta de 1775, desde então teve em mãos a decisão de quais trabalhos queria executar e mostrar todo seu talento e, o mais importante, sendo remunerado como Oficial de Cantaria de Pedra e Pedreira. Por muito tempo havia registro da passagem de Tebas apenas pela capital paulista, mas estudiosos acreditavam que, devido ao seu talento e magnitude de suas obras, Tebas teria estado em outras localidades. Foi então que, o historiador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Carlos Gutierrez Cerqueira, durante estudo dos Livros de Receita e Despesa do Convento Franciscano de São Luiz, da Vila de Nossa Senhora da Candelária de Itu, encontrou o registro da contratação de Tebas para a construção do Cruzeiro, comprovando sua passagem pela cidade.
Quantos livros a senhora tem publicados?
Publiquei um livro em memória de papai e há pouco tempo mais um livro de crônicas dele. Escrevo algumas coisas esporadicamente. O meu pai gostava muito de escrever. E era um apaixonado pelo Direito também! Tinha dias em que ele chegava para mim e dizia:” – Filha você fez razões hoje?”.
O que erram razões?
São as peças processuais: defesas, recursos. Ele queria ver! Eu dizia que estava em termos técnicos. Ele respondia: “- Seu pai conhece termos técnicos!”. Ele ia, olhava, sempre mudava alguma coisa, alguma construção que ele não gostava. Ele chegava para mim e dizia:” – Filha, eu mexi um pouquinho nas suas razões, mas não se preocupe, eu já passei a limpo para você”. Ele escrevia a máquina com dois dedos, mas rapidamente! Eu ouvi de um juiz uma vez que eu era quem melhor escrevia! Eu não podia falar que tinha o dedo do papai! Papai gostava de escrever! E estimulava muito as filhas, ele foi um grande pai para nós duas!
A Faculdade do Largo São Francisco era frequentada pela elite?
Naquele tempo era. Naquele tempo as faculdades rareavam. Era a mais antiga, a mais famosa. E tinha uma certa dificuldade para o ingresso, era necessário fazer vários cursinhos para poder passar no vestibular. A concorrência agora é muito maior. Eram 20 a 30 candidatos para uma vaga. A concorrência tinha que ir bem preparada.
Os trajes para frequentar as aulas como eram?
Os homens usavam paletó e gravata, as mulheres não usavam calça comprida, usavam vestido ou saia e blusa.
A senhora tem amizade com Michel Temer?
Tenho sim! Eu tenho muita amizade com ele, isso vem mais ou menos de família. O irmão do Michel, infelizmente falecido, por coincidência faleceu no mesmo dia em que faleceu o meu pai. O irmão do Michel era namorado da Maria da Glória Ataliba Nogueira, que era filha de um professor da faculdade de Direito de São Paulo. Ela era muito minha amiga, era presidente do Departamento Feminino. A gente se dava muito bem. Então tinha muito contato com o Fued Temer, com o passar dos anos o Michel começou a estudar Direito, isso muitos anos após eu ter saído. Quando foi aberta a Faculdade de Direito de Itu, ele foi indicado em primeiro lugar como assistente em Direito Constitucional. A faculdade não tinha nem instalação própria. Quando eu vi que era Temer, meu marido já era presidente da mantenedora, eu disse-lhe: “-Se for irmão do Fued, pode admitir que é gente boa!” Ele foi admitido e trabalhou muito conosco, como professor de Direito Constitucional. Ele é especialista nisso, muito querido pelos alunos. Foi diretor da Faculdade.
Um dia ele entrou na sala do meu marido e disse-lhe: “Caselli! Ei, preciso pedir uma licença na faculdade, porque os amigos estão insistindo para que eu seja candidato a Deputado Federal. Eu acho que vou tentar!”. Meu marido que era meio politiqueiro disse-lhe:”-Olha Michel, não tem só o meu apoio como tudo que eu puder fazer, você vai dizendo que eu ajudo.”
Eu ouvi aquela conversa, quando ele saiu eu quase chorei: !- Menos um bom professor!”. Meu marido disse-me: “- “Esse nosso professor ainda vai ser Presidente da República!”. Já Presidente, um dia ele veio fazer uma palestra, e disse que tinha ouvido quando meu marido falou!
A Faculdade de Direito de Itu pertencia ao marido da senhora?
Osac – Organizacao Sorocabana de Assistência e Cultura Ltda.
Ele foi sócio dela. A primeira equipe que vinha lecionar aqui era toda da São Francisco. Depois é que foi mudando e admitindo outros professores. A fundação se deu da seguinte maneira: o prefeito de Itu, João Machado de Medeiros e Fonseca, conhecido como João Português, era Procurador Municipal e queria fazer um curso superior em Itu. Já existia a Faculdade de Filosofia, então criou a Fundação Ituana de Ensino Superior e reuniu nessa fundação os presidentes de sindicatos e de entidades para cuidar dessa fundação. Quando se decidiu que a ideia ia para frente, foi feita uma pesquisa para saber qual era o curso que o pessoal estava desejando. Até o João era mais a favor de que fosse engenharia. A pesquisa foi feita e deu 90% de opção pelo Curso de Direito! Quando o meu marido veio me contar eu achei que seriam muitos advogados! Começaram a trabalhar para implantar a faculdade. Só que já havia um padre de Sorocaba, o Padre Pieroni, que já tinha essa ideia de fazer uma faculdade de Direito em Itu e já tinha uma entidade particular. Se a escola fosse feita totalmente pelo Poder Público, seria uma Escola Municipal, e o Conselho de Educação seria o Conselho Estadual que não estava aprovando faculdades particulares. A ideia foi como uma entidade particular a escola iria para o Conselho Federal e teria a chance de ser aprovada. Por isso esse padre entrou com uma organização chamada Organização Sorocabana de Assistência e Cultura, a Osac que ficou de certa forma, a composição e a mantenedora dessa faculdade. E foi aprovada pelo Conselho Federal de Educação. É a Osac – Organização Sorocabana de Assistência e Cultura LTDA. FADITU.
E Almino Afonso?
Almino é meu irmão! Ele telefona para mim quase todos os dias! Ele veio do Amazonas e cursou a partir do segundo ano no Largo São Francisco. Logo se projetou porque ele é muito bom orador. Quando ele falava todo mundo ia ouvir! Ele foi o orador da nossa turma. Isso foi em 1954. Já esteve aqui fazendo palestras várias vezes. Tive bons colegas de turma, como Plinio de Arruda Sampaio.
Como a senhora vê atualmente a profissão do advogado?
Quem exerce tem que fazer com muito desembaraço! A profissão não está fácil! A subseção da OAB em Itu é a 53ª Subseção de São Paulo foi fundada nesta sala onde estamos. Itu já tinha sua faculdade de Direito. Tínhamos que ir na subsecção de Sorocaba para votar. Um colega contemporâneo, não era meu colega de turma, cuja mulher era ituana, costumava oferecer um churrasco na casa dele, uma casa muito grande, muito antiga, ao fórum criminal de São Paulo. Vinha todo mundo, desde desembargadores, advogados criminalistas, entre eles veio o Presidente da Ordem, Cid Vieira de Souza, meu colega de turma, meu marido e eu estávamos nesse churrasco, convidamos o Cid para prolongar e vir até a nossa casa tomar um cafezinho. Ele acolheu o convite e veio acompanhado do dono da casa onde estávamos, era muito meu amigo, o Raimundo Paschoal Barbosa. Nós então solicitamos a abertura da subsecção de Itu.
O meu pai era católico e a minha mãe presbiteriana. Segui mais a religião do meu pai. A única coisa que a minha mãe exigia de mim era que eu lesse a bíblia. Ela dizia: “Tem que ler a bíblia todos os dias!”. Eu não tinha mais desculpas para dar para ela, eu disse-lhe: “ Mãe, estou me preparando para o cursinho agora! A minha opção para entrar na faculdade vai ser em inglês! Estou estudando inglês, não dá mais tempo de estar lendo assim!”. A minha mãe me arrumou uma Holy Bible (Bíblia escrita em inglês!).
A senhora tem uma vida bastante interessante!
Viajei muito também! Conheci a Europa inteira! Meu marido era representante da lavoura cafeeira no Instituto Brasileiro do Café, o IBC, então íamos até lá para ver como estava sendo vendido o café brasileiro. O que aliás era uma lástima! Deixavam entrar o café africano, o “robusta”, colocavam só um gostinho do café brasileiro! Meu marido teve muito desgosto em ver que os desfrutassem de um bom dinheiro do Brasil, inclusive alguns diplomatas morando na sede da embaixada brasileira na Itália o Palácio Pamphilj (Palazzo Pamphilj), uma imponente construção barroca situada na Piazza Navona, em Roma. Não faziam nada! Um dos embaixadores chegou a dizer para ele: “ Eu nem sei se é planta rasteira ou se dá em árvore!”. O meu marido “subiu a serra”! disse-lhe: “ O senhor mora nesse palácio, que é dinheiro do café e vem me dizer isso! O senhor está sendo mau brasileiro!”. Na Alemanha uma vez caiu a nossa cara. O dono do escritório alemão veio mostrar o que o brasileiro punha na saca de café: grampo de cerca, sabugo de milho, meu marido quase morreu de vergonha!
Quantos idiomas a senhora fala?
Só o português e olhe lá, rsrs…
E latim?
Eu leio alguma coisa!
Como a senhora se sente dentro deste palácio em que a senhora mora?
De certa forma, isto custou muito esforço e muito trabalho do meu marido. Quando nós o adquirimos, estava sendo ocupado pelo Sindicato da Construção Civil. Eles saíram após 90 dias da nossa aquisição. Deixaram sem manutenção, muita madeira podre, tudo quebrado. Nós viemos ver o que que tinha. Saíram daqui 127 caminhões de entulhos! E para restaurar vieram 5 caminhões de madeira de Roraima. Custou muito, foi muito trabalhoso, ainda com autorização do Patrimônio Histórico. Ficou uma casa famosa, todo mundo quer visitar, Em Itu tem dois imóveis tombados inteiros pelo Patrimônio Histórico, geralmente é só a frente que é tombada. Tombados em sua totalidade é esta casa e um antiquário próximo ao Bar do Alemão.
Essas visitações incomodam a senhora?
Houve um tempo em que abríamos até, conforme o dia, a hora, mostrávamos aos visitantes. Só que infelizmente começaram a sumir pequenas peças, alguma coisa de decoração, e importunavam também, porque não tínhamos mais hora para almoçar, jantar. Com isso fomos fechando. Uma das vezes eu estava fazendo a declaração de Imposto de Renda minha e do meu marido, nisso chegaram duas senhoras, meu marido disse-me: “Meu bem, vamos recebe-las, elas são sobrinhas do Prudente de Moraes, vieram lá de Piracicaba”. Atendemos muito bem essas senhoras. Quando estávamos acompanhando-as até a porta, já vinha entrando uma caravana de pessoas! Meu marido disse: “Não! Agora não!”. Agora é hora de almoço, não é possível visitar a casa. As duas senhoras que estavam saindo disseram: “Nós fomos admitidas porque somos sobrinhas-netas do Prudente de Moraes!”. O sujeito que estava a frente da caravana disse-lhes: “Grande coisa!”. Depois disso passamos a não abrir mais. No ano passado veio o pessoal do museu. De vez em quando vem pessoas do museu, são pessoas que tem um interesse específico, pesquisadores de história, sabem admirar e avaliar até com certa reverência e respeito a um patrimônio histórico. Já aconteceram situações inacreditáveis! Já tivemos que pedir delicadamente que a pessoa encerrasse a visita, tal a inconveniência e atrevimento!
Estou vendo um piano, a senhora é pianista?
Já fui! As minhas bisnetas tocam!
A senhora teve filhos?
Eu não tive filhos! Eu chamo de filhos os filhos do meu marido! Ele foi casado em segundas núpcias comigo. Eu criei uma enteada mais nova. Os netos considero como tal, sempre me visitam.
A senhora sente-se bem em Itu!
Eu me sinto ituana! Gosto da história de Itu, gosto do povo de Itu, o povo me trata muito bem!
Tem um dos relógios de parede que chama muito a atenção!
Se nós formos relembrar a origem e a história de cada objeto que existe nessa casa, não terminaremos de contar hoje! Esse relógio tem história! Eu visitava muito a minha tia Ita, ela morava perto de São Paulo, em Santa Isabel. O meu tio era coletor federal lá. Eu gostava muito dessa tia, ia fazer umas visitas para ela. Me levavam para comer alguma coisa, em uma vendinha típica da cidade. Meu tio disse que o proprietário se chamava Manduca, ele tinha esse relógio lá. Eu disse ao meu tio: “-Nossa tio! Esse relógio é antigo! Será que o Manduca não me vende esse relógio?”. O meu tio disse-me: “Maria Lúcia, não adianta nem pedir! Ele não vende para ninguém!”. Eu cheguei lá e disse: “Manduca! Esse relógio não fica bem na sua loja! Você tem uma loja mais moderna para essas coisas! Se eu te mandar um relógio de parede, desses que o ponteiro vermelho fica rodando, marcando as horas, os segundos, para você por aqui, vão ficar bem melhor na sua loja! Você não me venderia esse relógio?”. Ele me disse: “´Pode levar doutora! O relógio é seu!”. Depois levei um relógio para o meu tio dar para ele! Mandei um bom relógio! Este relógio que foi do Manduca é um relógio americano de 1800 e pouco. Funciona ainda, só não temos paciência de dar corda nele!
A porta principal de entrada da casa também tem história?
Essa porta é histórica. Segundo Luis Saia (já falecido), arquiteto e historiador, diretor do Patrimônio do 4° Distrito, que compreendia todas as cidades históricas de Minas Gerais, a orla marítima do Estado de São Paulo, aprendi muito com ele, quando ele soube que tínhamos adquirido essa casa ele ficou muito feliz. Ele disse-me : “ -Fique sabendo que a sua porta é a segunda porta mais bonita do Brasil, a primeira é a da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, toda de bronze, é diferente. Essa porta é famosa e já ganhou um prêmio de portais na Bélgica”. Ela saiu na Revista Quatro Rodas como a mais bela do Brasil.
Oque a senhora pode dizer da sua irmã Thais de Almeida Dias falecida recentemente, mas que deixou um legado cultural muito expressivo?
Thaís é a caçula de nós! O meu diálogo com ela não era muito próximo, isso porque tivemos vidas diferentes. Assim como eu, a Thaís tinha uma deficiência visual grande. Papai tomava o cuidado de nos levar todo ano no Penido Burnier em Campinas, tínhamos miopia progressiva. No caso dela era pior do que a minha. O Ruy , nosso irmão, era bom de visão. Eu me lembro de que quando ela nasceu eles não esperavam menina, pensavam que seria um menino. Papai era Revolucionário de 1932, ele chegou a ser preso. Já tinham até um nome se fosse menino que iria nascer, seria Washington Luiz! Quando nasceu a parteira disse-lhe: “Olha aqui o seu Washington Luiz! Eu tinha uma boneca chamada Thaís. Meu pai estava repetindo os nomes de um gerente lá de Santos, muito amigo dele, era Ruy Pinto Cesar. Tanto que o meu irmão se chamava Euclides Ruy, eu me chamei Maria Lúcia, Lúcia era a mulher do gerente, a filha mais velha dele chamava-se Thaís. Então foi batizada a minha irmã com esse nome de Thaís. Ela era pequenininha e meu pai já a ensinava a escrever com “h! e colocar dois pingos no “i” que era o trema. Ele dizia: “É assim que escreve o seu nome, minha filha!” Ela fez as mesmas escolas que eu fiz, só que eu fiz o Clássico e ela fez direto o Normal. Lecionou em umas fazendas rurais por aqui, começou a vidinha dela de professora por aqui, trabalhou em banco também, teve várias remoções, teve um trabalho no Maranhão, muito interessante, ficou amiga do pessoal de lá, inclusive do Sarney, depois voltou. O início dela no rádio foi com o meu pai, ele escrevia uma crônica radiofônica e todo dia era lida a crônica dele. As vezes o locutor não era bom, a princípio eu que fui fazer essa leitura, depois foi a Thaís. Ele ensinou a Thaís a ler a crônica dele, ela era novinha ainda. A estação de rádio era quase em frente de casa. Era a Rádio Emissora Convenção de Itu. Aí foi o começo dela como radialista. Ela foi para São Paulo, teve muita amizade com o Professor Pfrom, ele a estimulou a fazer um programa folclórico. Folclore é uma coisa, moda de viola é outra. Ela era especialista em folclore na Rádio Cultura. Um dia ela recebeu um telefonema, acho que foi do Professor Pfrom mesmo, ele era diretor da Cultura.
Disseram: “Thais, o governador quer levantar, fazer a barba escutando moda de viola!”. Acho que era o Laudo Natel, se não me engano! Eu sei que ela saiu desesperada, procurando tudo quanto é disco de moda de viola! Escolhia os melhores, que tem coisa muito boa! E montou a parte de viola na Cultura. E fez a carreira toda na Rádio Cultura, quando a Esther Ferraz era ministra da Educação, ela foi nomeada Diretora da Rádio MEC, ficou uma temporada no Rio de Janeiro, depois voltou para a Rádio Cultura onde já tinha um cargo de direção. Nós sintonizávamos bem a Rádio Cultura aqui em Itu. Me lembro que em uma ocasião minha mãe me telefonou e disse-me: “Filha! Sintonize a Rádio Cultura! Acho que rebaixaram a Thaís, porque é só ela que está falando! Veja o que aconteceu! Ela não é mais locutora, ela é diretora!” Eu liguei o rádio, era a Thais mesmo! Passado algum tempo, eu ligava para lá e não atendia. Até que consegui falar com ela. Ela então explicou: “É que o pessoal aqui entrou em greve, combinei com o sonoplasta e colocamos a rádio no ar. Ela falando e a programação sendo tocada. Ninguém percebeu!
A Irmã Rita de Cassia Dantas veio servir no Convento do Patrocínio em Itu. Ela tem até um irmão que foi meu colega de turma na São Francisco, hoje tem uma cadeira que tem o nome dele: Antonio de Arruda Dantas, era um bom poeta. Um dia a minha mãe recebeu um cartão: “À minha primeira professora, com muito carinho. Isabel Dantas”. Era a freira! Minha mãe levou um susto! Irmã Rita! A Bézinha está aqui no Patrocínio! Aí telefonou e conseguiu o contato. A Bézinha, ou seja, a Irmã Rita foi visita-la! No tempo em que a minha mãe fez o grupo escolar, lá em Assis, o grupo era misto, e a mãe da Irmã Rita não queria que a filha estudasse em escola mista. Ela chamou a minha mãe e disse-lhe:” Zeni, você que vai lá, quando vier ensina a minha filha o que você aprendeu na escola”. Assim como o meu primeiro professor foi o meu pai. A Irmã Rita era muito culta, escrevia muito bem, tinha feito o curso de português, em Portugal com o Prof. Idelino Figueiredo, era professora de português.
A senhora usa computador?
Não uso, e muito pouco o celular. Agora jornal eu leio de cabo a rabo todos os dias!
Qual mensagem a senhora daria aos leitores desta entrevista?
A gente tem que esperar que dias melhores virão! Acho que a gente deve esperar com confiança no futuro, enfrentar o futuro com muita coragem, trabalhando no que der. E aceitando o que não der para consertar.
Tenho uma coisa interessante para o senhor gravar. Como eu disse, Thais era para se chamar Washington Luiz. Papai era fanático pelo Washingon Luiz! Ele foi para o exílio, voltou, fez muita coisa pelo Museu Ituano, Museu da Convenção de Itu. Resolveram dar o título de cidadão Ituano para Washington Luiz. Ele veio receber esse título. Eu já estava formada em Direito. A entrega do título seria na Câmara de Itu, onde eu já tinha sido vereadora. Papai me pegou pelo braço e disse-me: “-Filha, vamos lá, eu vou assistir essa homenagem e você vai comigo, porque você é formada na mesma escola em que ele se formou! Eu fui, de braço com o meu pai. Na hora dos cumprimentos, Washington Luiz estava com um aparelho de surdez do tamanho de um bonde! E todo mundo gritava com Washington Luiz! E papai queria que eu falasse para ele que também era antiga aluna da São Francisco! Na hora que fomos cumprimentar eu só cumprimentei e não falei nada! Papai disse-me: “Filha! Eu trouxe você aqui para cumprimentar e você não falou nada! Eu disse-lhe: Papai, como eu ia gritar com uma pessoa por quem o senhor tem tanto respeito! Ele está surdo que nem uma porta!
O pai da senhora teve uma participação ativa na Revolução de 1932?
Papai era chefe da Campanha do Ouro na cidade de Assis. Ele estava fardado, e soube que os adversários estavam vindo do Sul. Ele então deu um jeito de transferir tudo que tinha no banco, transferir para São Paulo, através do meu avô, pai dele, que era escrivão de polícia. Quando os sulistas chegaram em Assis, não acharam nada no banco, decidiram prender o gerente. O gerente, que era o meu pai, estava em Presidente Prudente, abastecendo as fronteiras e aí ele foi preso nessa ocasião. Poeta, quando ele disse que estava em um vagão de porcos, parando em todas as estações, quando parou na estação de Assis, ele tinha arrumado um papel de pão e escreveu uns versos. Ele avisou a minha mãe: “Zeni, não sei se vou para a Ilha das Cobras, agora estou preso, eu não sei o que me vai acontecer. Mas não deixe a Maria Lúcia recitar batatinha! Olhe os versos que escrevi para ela, faça ela decorar isso aqui para recitar. “Eu sou de São Paulo/ Filhinha querida/ Eu sou paulistinha/ Ninguém me intimida/O meu anelzinho não tem mais não/ Eu dei para São Paulo na revolução/ Mas quando eu for grande/ Sei que hei de ser/ E para minha terra , mil versos fazer! Eu tinha dois ou três anos de idade! Eu fui batizada na Matriz de Cambuci, Igreja de Nossa Senhora da Glória. A Matriz de Cambuci era considerada a Bastilha de São Paulo, porque em 1932 muitos ali foram presos.
Os vitrais da casa onde a senhora mora situados acima das janelas (bandeira) são todos multicoloridos com a flor de lis estilizada , foram todos restaurados;
Uma historiadora chamava aqui de “Casa da Flor de lis” . O vermelho não existe mais para vender no Brasil. O azul ainda tem bastante. A restauração nossa foi por volta dos anos 70. Lembro-me de quando eu era procuradora do município, que estava sob intervenção, tinha um general, General Agostinho Teixeira Cortes, um dia ele me pediu uma carta para umas senhoras que estavam na mesa dele, juntas com a sua esposa, dando os parabéns pelo fato de ele ser prefeito de Itu! Uma carta de cumprimentos. Eu comecei a ler. A historiadora escreveu que ela visitava Itu, uma casa que ela passou a descrever. Eu parei de ler, até me emocionei! Eu disse: General! Essa casa que ela está descrevendo aqui é a minha casa! Sou eu que moro nela! Ah é!, ele falou surpreso. A senhora então vai responder essa carta para a moça!”. O nome dessa historiadora era Guimar Rocha Rinaldi. Aí eu fiz uma carta para ela, convidando-a para vir visitar a casa. Meu marido disse: “ Eu mando busca-la, pode convidar, vai ser a nossa hóspede! Mandei a carta. Ela me respondeu com uma carta atenciosa, com detalhes da casa, e até uma composição de um compositor ituano, que foi feita aqui. Mas antes de mandar buscá-la, infelizmente ela faleceu.
